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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Chove não molha

Não ata, nem desata; chove não molha; lengalenga; cruzar os braços. Essas são apenas algumas da infinidade de expressões que nossa rica cultura brasileira possui. Mas o que significa, afinal, “chove não molha”? O que quer dizer “não ata, nem desata”? Todas essas expressões, muitas vezes usadas de maneira despretensiosa, podem nos levar a uma profunda reflexão sobre o nosso comportamento. E uma vez relacionadas à ética, elas inspiram várias lições importantes que todos os brasileiros deveriam aprender.
 A indiferença e apatia são problemas enraizados na nossa cultura. Muitas vezes, elas sequer são percebidas, pois revelam apenas o comportamento a que todos estão acostumados; cruzar os braços se tornou uma atitude normal. Embora culturalmente aceitável, mas de forma velada, a inércia foi tomando conta do cotidiano brasileiro. Nas repartições públicas, no comércio, na rua, todo mundo faz de conta que está tudo certo, quando, na verdade, não está.
E assim, a indiferença vai banalizando o mal. Por que não nos constrangemos em avançar o sinal vermelho no trânsito, mesmo que isso seja uma infração? Por que protelamos nosso serviço no trabalho, e nem mesmo nos sentimos mal por isso? Por que já não nos importamos em cumprimentar nosso vizinho no saguão do prédio? Por que sempre damos um jeitinho de achar que é normal não fazer o que é certo? Agimos assim só por que todo mundo age igual?
A lição é esta: não se pode ficar nesse “chove não molha”. Estamos correndo o sério risco de deixarmos de ser quem realmente somos. Nossa identidade está em jogo! Não somos uma multidão sem nome, gerada pelo costume. Somos brasileiros, temos coração. Chega da lengalenga de nos conformarmos com o mal na nossa cultura, no nosso trabalho, nos nossos relacionamentos. Basta dessa indiferença que “não ata, nem desata”.
Ana Maria Machado 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ÉTICA FICA BEM: 4. A camisa que todos devem vestir


Eis uma pequena charge que ilustra a cena de uma repartição pública. O desenho contempla duas mesas, três servidores vestidos socialmente, estáticos a contemplar Dona Marlene, que chega com mãos ocupadas com papeis. Esta uma mulher está vestida com uma roupa transparente, que choca seus colegas de trabalho, pois é possível visualizar a roupa íntima dela, constrangedoramente. No único balão da charge, lê-se o comentário de um dos servidores sobre a mulher: “Acho que a dona Marlene não entendeu a Lei da Transparência no Serviço Público.”.

Apesar de inicialmente despretensiosa, a pequena charge leva-nos a uma reflexão sobre diversos assuntos referentes à ética. Podemos imaginar os critérios que dona Marlene teria levado em conta para decidir ir trabalhar vestida daquela forma: qual a imagem que os cidadãos teriam dos serviços prestados pela servidora ao entrar naquela sessão? Podemos ponderar o desconforto dos colegas de dona Marlene no serviço; pensar na real aplicação da Lei da Transparência; refletir sobre nosso ambiente de trabalho, tentando identificar qualquer semelhança com o desenho irônico.

Como servidores conscientes de nosso valor, precisamos nos disciplinar a ter uma opinião sobre os assuntos relacionados a esses aspectos. Precisamos refletir sobre nossa postura dentro do ambiente de trabalho, afinal, temos uma enorme responsabilidade: somos visualizados 24 horas por dia como agentes públicos!

No caso da charge, concluímos que o bom senso seria um ponto de partida razoável para a solução de um dos problemas na repartição em que dona Marlene trabalha. Com relação as suas roupas, faltou-lhe bom senso para escolher o que vestir no ambiente de trabalho. Para manter-se impessoal no tratamento com o público externo, preservar a sua privacidade e a imagem da instituição, Marlene poderia ter escolhido roupas mais apropriadas.

A chefia da servidora ou até mesmo os seus colegas de trabalho, no caso, poderiam chamar-lhe a atenção com discrição, privativamente, a fim de resolver o constrangimento, sem problemas. Relacionamentos saudáveis no ambiente de trabalho inspiram honestidade nas relações, sem que haja rudeza ou hostilidade. Assim, servidores maduros e conscientes de seu valor sabem receber críticas e realizá-las observando os princípios éticos.

De toda forma, inspirados na história da dona Marlene, a conclusão é: o equilíbrio é sempre recomendável. Tanto na hora de vestir, como na hora de se relacionar no ambiente de trabalho, bem como no momento de elogiar e criticar o colega, o bom senso sempre fica bem. Essa é a camisa que todos devem vestir!