sábado, 20 de julho de 2013

BARULHO: POR ISSO VOCÊ DEIXOU DE IR À ACADEMIA.


Você já teve a bela experiência de ir à academia, disposto a tirar o atraso dos dias que deixou de ir, para cumprir o seu dever consigo mesmo? Pode até ser que você só tenha ido porque pensou que pagou caro na mensalidade e concluiu que não faz o menor sentido perder o investimento, ou porque notou que deu uma engordadinha… Pois bem, por um motivo ou outro, nós, mesmo cansados, somos compelidos a ir à academia para malhar ou fazer uma ginastiquinha, se faltamos alguns dias.
O fato é que criamos um compromisso e nos sentimos mal se não o cumprimos. É verdade que algumas pessoas são completamente viciadas em academia; nesse caso, elas têm crise de abstinência se não batem o seu ponto na malhação. Mas, para maior parte dos seres normais (conscientes de seu investimento financeiro e da necessidade de “fazer alguma coisa”), deixar de malhar é motivo para um: “Poxa! Eu preciso ir à academia.”
Se você já fez parte desse grupo de pessoas que sempre retorna à academia após um tempo parado, vai entender agora por que deixou de ir algum dia. É lógico que existem mil fatores que te levam a se afastar por um tempo. Mas me diga se você não se irrita com o barulho que o ferro faz quando alguém deixa bater o peso das cargas dos aparelhos, irrompendo um som desagradável: PÉÉÉÉÉMMMMM!!!! Que barulho horrível. Dá vontade de pegar um halter e lançar na cabeça da criatura que permitiu que ele acontecesse.
Você pode até pensar que é frescura minha, mas pense na sinfonia maravilhosa que é o horário de pico da musculação: nessa hora descobrimos que nossos colegas são verdadeiros profissionais do barulho. Bem… exageros à parte, você há de convir que o som é extremamente incômodo. Eu mesma já levei vários sustos, quando, distraída, alguém no leg press fez um PÉÉÉÉÉMMMMM bem alto.
Outro dia, refletindo sobre o barulho das batidas das cargas, eu me lembrei de uma passagem da bíblia que fala sobre o amor: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.”. E cheguei à conclusão que sem amor, além de a vida ser muito sem graça, ela chega a irritar.
Depois disso, minha percepção do versículo mudou. E mudou também meu sentimento quanto aos meus colegas de musculação. O barulho não deixou de ser terrível, mas aprendi a amar as pessoas que estão ali comigo para malhar. Talvez, elas estejam ali para espairecer, para esquecer seus problemas de casa, para treinar para alguma competição, ou para simplesmente se sentirem melhores. Elas, assim como eu, precisam de amor para que suas vidas não sejam como o barulho de um ferro batendo no silêncio. O som ecoa, incomoda e termina, sem mais nada.
Pense numa vida sem graça: ela começa sem sentido, produz um incômodo sem sentido e termina sem sentido! Não é isso o que eu desejo para mim, nem para niguém, meu Deus!
A minha experiência pessoal diz que há um amor muito maior do que o amor que qualquer pessoa pode dar, um amor que preenche o coração e traz sentido para a vida. Na verdade, a própria bíblia fala desse amor. O amor de Jesus faz com que tudo o que se faz na vida tenha sentido. E o som que ele produz é uma canção que alegra e abençoa outras pessoas. É um som que ecoa e não pára de ecoar, porque não acaba: é a vida eterna.
Eu aprendi que para que a malhação na academia tenha sentido, para que o trabalho, o dinheiro, a família, os projetos tenham sentido, só mesmo se o amor de Jesus estiver presente. Não posso deixar de malhar, de trabalhar, de viver. Mas busco aquele que pode converter o barulho desagradável da vida em uma linda canção de amor. Ele, sim, pode nos dar amor.
Aham! Achou que eu iria apresentar uma boa desculpa para você usar para não ir à academia, não é? Mas não. Todo mundo sabe dos benefícios da atividade física. Eu te apresento um motivo para amar as pessoas que estão na academia! E gostaria de te incentivar a ir a uma. Além disso, te apresento a proposta de mudar de vida. Convidar Jesus para morar no coracão é a melhor opção para trazer sentido à existência de qualquer pessoa.

Quem sabe a gente comece com uma campanha para dimiuir os ruídos nas academias…

quarta-feira, 5 de junho de 2013

COMO ACONTECEM AS HISTÓRIAS DE AMOR?

Como acontecem as histórias de amor? Elas não acontecem como nos contos de fadas, tampouco com o glamour dos filmes de cinema. As histórias de amor são escritas por Deus, antes mesmo que nós existíssemos. Elas acontecem sem ensaios, sem planejamento, quase sem querer, afinal, ninguém planeja se apaixonar! Essas histórias simplesmente acontecem do jeito que têm de ser.



A minha história e do Isaac começa assim. E hoje ela é muito melhor do que nós dois poderíamos imaginar.



O pedido de casamento perfeito


Completamos um ano de namoro há alguns meses, porém já há algum tempo que queremos nos casar. A certeza da decisão do casamento é confirmada a cada dia, não por pressões ou por interesses inconvenientes, mas pela alegria que o nosso relacionamento gera em nós, em nossas famílias. No nosso coração, já estávamos certos: íamos nos casar.

Em 1º de junho de 2013, então, meu querido namorado me avisa que temos um compromisso importante. Não disse o quê, nem onde, entretanto, deixou claro que eu deveria vestir a melhor roupa, e fazer a melhor produção: íamos a um evento chique conhecer uma pessoa importante.

Ao me buscar em casa para conhecermos tal pessoa, vestido lindamente com terno e gravata, exalando o perfume do nosso primeiro encontro, ele me cumprimenta com um sorriso gostoso e um abraço aconchegante. Abre a porta do carro para que eu entre e dá a volta no carro apressado para entrar também e falar comigo.

“Essa noite é muito especial!”. Disse ele, estampando nos olhos o brilho de uma expectativa que não conseguia conter. Deu-me um presente embalado numa caixa bonita. Abri-a e tirei uma roupa linda, que eu lhe dissera alguns dias antes que queria. Ele, satisfeito, me contemplava, como se eu fosse uma criança feliz ao receber um brinquedo. No fundo da caixa, contudo, havia outro embrulho, uma caixinha preta pequena em cujo o rótulo se lia “joalheria”.

Meu coração pulsou forte. Seria esse o momento tão especial de nossas vidas? Teria ele preparado uma surpresa para entregar-me uma aliança de noivado? Num instante de segundos, mil expectativas nasceram na minha mente, enquanto ele olhava para mim, pedindo que eu abrisse a caixinha.

Quando eu abri a caixa, vi que havia um anel, mas não uma aliança; não era ainda o “grande” momento. Alegrei-me com o presente, sem deixar que ele percebesse a minha frustração. Sem dúvidas, era um lindo anel, mas não era o que eu havia pensado. Coloquei-o no dedo e agradeci o presente com um beijo.

Feliz por ter me agradado, ele começa um breve discurso, enfatizando que para que a noite fosse perfeita era necessário que eu fizesse o que ele falasse. Eu precisava obedecê-lo. Sem entender aquilo, mas ansiosa pelo que ainda iria acontecer, eu disse que faria o que ele dissesse, sem problemas.

Ele dá partida no carro e dirige rumo ao Pontão, o calçadão badalado de Brasília, às margens do lago Paranoá. Ali, onde começamos a namorar, tão significativo para nós, era o lugar perfeito para mais uma surpresa na nossa noite especial.

Ele estaciona o carro e adverte: “Não saia do carro enquanto eu não te chamar, por favor.”. Então, apanha algo no banco de trás e segue para a frente do carro, espalhando sobre o capô do automóvel uma série de pecinhas pequenas que não pude identificar. Era para eu ficar de olhos fechados, segundo as instruções dele, mas eu não consegui refrear o impulso de olhar; a curiosidade foi maior, eu confesso.

“Pode vir.”. Saí do carro com cuidado. Salto alto é uma arte, ainda mais para alguém que não está acostumada a usá-lo. Fui até a frente do carro e me deparei com peças de um quebra cabeça espalhadas no capô, todas misturadas, prontas para serem encaixadas umas nas outras. “Você deve montar esse quebra cabeça em cinco minutos!”. Disse ele, com aquele riso encantador nos lábios.

[CONTINUA...]

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

E-mail a uma amiga concurseira



Oi. Que bom que me respondeu. Estou bem, sim... Estudando até passar no concurso!

Quero te dizer que não desanime. Antes de começar os seus estudos, ore e coloque sua vida nas mãos de Deus. A Bíblia diz que os planos de Deus são bons, perfeitos e agradáveis. Então, nada melhor do que deixar que Ele conduza sua vida no que diz respeito à área profissional e financeira também! 

Quando se começa a estudar, é necessário ter perseverança e confiança. Eu imagino que os contratempos que você teve tenham te desanimado, mas mesmo que nesse início suas tentativas não tenham sido muito produtivas, veja pelo lado bom: pelo menos você tentou! Isso já é alguma coisa.

Persevere até que seu tempo de estudo renda um pouco mais, até que você atinja seu alvo. E confie em sua capacidade. Para o concurso, tudo é uma questão de tempo e aprendizado. Você já lutou muito na vida, aprendeu, amadureceu e conseguiu chegar aonde está. Isso significa que ainda pode alcançar muito mais.

Não se esqueça de que Jesus é o seu maior aliado. Ele disse que jamais nos abandonaria. Peça que Ele esteja com você e te ensine as matérias que precisa aprender para a prova. É assim que eu tenho feito. A Bíblia diz que até durante a noite o Senhor nos ensina. Imagine: até enquanto dormimos, nosso coração é ensinado! Então, abra o coração para Jesus e Ele fará muito mais do que você imagina em sua vida.

Se apodere de todos os recursos que puder para que sua aprovação ocorra. Faça cursos, leia apostilas, atualize-se com a jurisprudência dos tribunais, inscreva-se em push de notícias, tenha seu tempo de lazer e atividade física. No que precisar de mim, estou sempre à disposição.

Que Deus nos abençoe em nossos estudos. Beijo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

UMA CAUSA TÃO FÁCIL

Reunidos na sala de audiência, tomando cada um o seu lugar, autor e réu vão, aos poucos, se exasperando, fazendo comentários em voz audível, antes da sessão de julgamento começar, no intuito de intimidar o adversário:
"Porque aquele acidente de trânsito foi mesmo um erro dessa mulher!" Gesticulando, disse, cheio de si, o homem, com toda a razão do mundo.
"Por favor, queira deixar que a sessão comece e, então, eu trato do assunto." Pediu, discretamente, o advogado do jovem senhor, réu no processo.
"Mas me garanta que o Juiz saberá como realmente se deram os fatos. Ele perceberá que a culpa foi toda dessa barbeira!"
"Sim... Sim. Por favor, se acalme."
Dou outro lado da mesa:
"Mas era só que me faltava! Esse homem arrumando o maior barraco no tribunal... Ele sim é o culpado pela batida. E ainda se recusa a pagar pelo estrago do meu carro!"
"Não se preocupe, Senhora. Todas as evidências indicam que ele é o culpado. Nossa causa já está ganha." O advogado da autora do processo tentava confortar a cliente.
O clima da audiência já estava acalorado, mesmo antes de terem sido abertos os trabalhos da Vara. De um lado, o murmúrio da conversa entre o advogado da parte ré e o seu cliente enchia a pequena sala de um zumbido desconfortante.  De outro, a autora da ação e seu advogado fitavam seus olhares de maneira quase fulminante no réu e no advogado, do canto oposto da sala.
Situação perfeita para ver o circo pegar fogo, quer dizer, o Juizado Especial pegar fogo...
Entra o Meritíssimo Magistrado e se assenta em seu lugar. Faz-se um silêncio sepulcral por poucos segundos até que, antes que o juiz pudesse falar alguma coisa, adianta-se o réu a fazer esclarecimentos:
"Excelentíssimo, antes de qualquer coisa, eu gostaria de dar a minha versão dos fatos."
"O senhor deve aguardar o momento em que o interrogarei, por favor." Disse o juiz um pouco irritado com a petulância do réu, folheando o processo em cima da mesa, sem levantar os olhos.
Mesmo assim, sem se intimidar com a advertência do magistrado, levantando-se da cadeira, o jovem senhor começou a expor a história do acidente de carro, tendo achado que o juiz o tratara com desprezo. Queria ser ouvido antes, mesmo que fosse aos gritos.
Querendo ver como aquela situação iria acabar, o juiz resolve deixar o jovem senhor continuar a falar.
"Eu estava dirigindo na via principal, quando esta senhora que estava fazendo a tesourinha, entra na frente do meu carro muito lenta e gera toda a batida! Eu tentei desviar dela, mas, como estava a 120 quilômetros por hora, ainda peguei na traseira do carro pelo lado esquerdo..."
"O senhor estava a 120 quilômetros por hora? Como acha que a culpa não é sua, então?" Indaga já impaciente o juiz.
O silêncio impera na sala até que o magistrado o interrompe:
"A velocidade máxima da via era de 80 quilômetros por hora... Sinto muito. O senhor é culpado pelo acidente."
Depois de tomadas as providências processuais cabíveis, saem da sala de audiência o advogado da autora e sua cliente satisfeitos com o resultado do julgamento. Comemora o causídico:
"Não disse que iríamos ganhar? Nunca atuei em uma causa tão fácil! O réu se entregou sem ninguém nem mesmo falar!"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CADA COISA NO SEU LUGAR: por que comemoramos o Natal?

Meus votos de Feliz Natal

 *Créditos: Timo Cunha e Cutia Fujona



Nessa época do ano, as pessoas do mundo inteiro se confraternizam; presenteiam amigos e familiares; se atentam mais a ajudar ao próximo que é carente; desfrutam de feriados, momentos de lazer e descanso; preparam e degustam comidas saborosíssimas; cantam e ouvem canções que falam de amor e paz; as ruas, shoppings, prédios estão decorados com os mais belos enfeites e luzes; o comércio fica aquecido, operando vendas que rendem muitos lucros… Enfim, todos, nessa época, se ocupam em celebrar a vida da maneira como sabem.

Mas o Natal é muito mais que isso. Mesmo que você não seja cristão, você não pode negligenciar o fato de que a História da Humanidade foi marcada há 2.012 anos pelo nascimento de Jesus, que dividiu a vida em antes e depois de Cristo. O Natal é, portanto, a celebração da vida, sim, mas a celebração especial da vida de uma pessoa específica: Jesus.

Por que o nascimento de um bebê foi capaz de mudar a História? Todos os anos milhões de bebês nascem corriqueiramente... Por que, então, celebrar o nascimento de Jesus?

A resposta para essa questão é evidenciada pela própria História: Jesus não foi um bebê qualquer. Sua vinda foi esperada ansiosamente por muitos; havia profecias e promessas a seu respeito. Todas as expectativas acerca do Cristo se cumpriram Nele; não somente as que se referiam ao seu nascimento, mas também ao seu ministério e a sua morte.

Tanto tempo depois da vinda de Jesus ainda somos contagiados pela alegria da festa que é o seu nascimento. A data tornou-se célebre em todo o mundo, marcando o próprio calendário que é utilizado hoje no Ocidente e em grande parte do Oriente. Dessa forma, não se pode negar que mesmo depois de 2.012 anos Ele é real e se faz presente na História do mundo. E, posso dizer, por experiência própria, que hoje Ele deseja se fazer presente na nossa vida de uma forma especial e pessoal!

Seja qual for a crença, o Natal é uma festa cristã, embora, não raras vezes, nos esqueçamos do seu verdadeiro sentido e insistamos em retirar do seu protagonista o lugar e as honras merecidos. Jesus é o motivo de se celebrar a vida! Seu nascimento, sua vinda ao mundo em forma humana são a razão da festa natalina. Todavia, o Natal de Cristo, para fazer sentido, deve ser experimentado de maneira pessoal, por meio de um convite, feito singelamente por quem quiser aceitar o próprio Jesus no coração.

Neste Natal, então, desejo que você permita que a presença desse menino que nasceu em Belém mude a sua vida, marque a sua história e te faça renascer para uma nova vida. Se você quiser, Jesus ainda hoje também pode fazer a diferença no seu natal! Desejo que seus olhos estejam abertos para essa verdade antiga, mas real. Desejo que haja celebração da vida em sua família, mas, mais que isso, que haja a celebração do nascimento de Jesus em seu coração.

Jesus disse “Eu sou o caminho, e a verdade e a Vida”, e ainda “[...] eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”. Vida é o que Ele oferece. Isso é o que desejo a você.

FELIZ NATAL!

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
João 3:16.

* http://www.cutiafujona.com.br/
* http://www.flickr.com/photos/timocunha

sábado, 1 de setembro de 2012

GO DOWN, ANA.



Após uma semana de trabalho exaustivo e de muitos problemas interpessoais no Ministério, me pego, após o expediente de sexta-feira, às 18h40, trancando minha sala e saindo pelos corredores, cantando “Go down, Moses”, tradicionalmente interpretada por Armstrong. A canção conta a história sobre a libertação do Povo de Israel da escravidão no Egito, nos tempos do velho testamento da Bíblia.
Inconscientemente, a canção me veio à mente e eu não pude conter a sua melodia belíssima, ia andando e cantando “[...] let my people go”. O espírito dessa música expressa exatamente como me eu me sentia naquele momento após a dura semana que tivera. Era como se, finalmente, guardadas as devidas proporções, estivesse me libertando do que tomara o meu tempo e me escravizara as forças.
É assim que se sente quando se dedica ao trabalho, doando-se da melhor maneira, e recebendo, em troca, críticas sem fundamento e perseguição. A sensação é de que, apesar da remuneração, o trabalho é escravo. Não há reconhecimento, nem valorização, não há uma equipe de trabalho, tão somente um grupo desarticulado e desmotivado. É lamentável que a estrutura do Poder Executivo federal se encontre a esse pé...
Imagino que o povo no Egito encontrava-se assim: desmotivado, desarticulado, sem quem pudesse enfrentar o Faraó, as pessoas se submetiam ao trabalho forçado, sem esperanças de uma vida livre, para, enfim, viverem seus sonhos, suas vidas de forma digna, em família. Em síntese, uma desgraça.
Eu não sou formada em Piscologia, nem possuo capacitação na área de recursos humanos, mas, como se diz, a vida é uma escola; não é preciso ter formação acadêmica – sem desmerecer aqueles que estudam para gerir pessoas – para aprender que “O diálogo é a base para o fortalecimento de qualquer relacionamento”. Essa afirmação foi dita pelo presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, e expressa com perfeição a solução que eu considero viável para a situação que eu vivi nesta semana fatídica: diálogo. Esta também foi, a princípio, a solução efetivada por Moisés para levar o povo do Egito – infelizmente, o Faraó era ruim de negociação e a manifestação divina se encarregou de pôr um ponto final na escravidão, de maneira dolorosa para os egípcios.
Concluindo, é uma pena que a pessoa com quem eu tivera problemas no trabalho não tenha aprendido, em 30 anos de serviço público, o poder da comunicação... Imposições e autoritarismos não resolvem relacionamentos! Bem, ela poderá contar com minha força de trabalho, enquanto eu estiver ali, afinal o meu serviço é para o Estado, não para uma pessoa específica (oras, apliquemos o princípio constitucional da impessoalidade!), mas minha amizade ela não terá. Eis o nosso setor mais desmotivado ainda... todo mundo sai perdendo.
Trago, então, à mente aquilo que pode me dar esperanças: “let my people go...”

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A FÁBULA DOS PORCOS ASSADOS

Qualquer semelhança com sistemas tributários só pode ser mera coincidência!

     CERTA VEZ, ocorreu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, que até então os comiam crus, experimentaram a carne assada e acharam-na deliciosa. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque. O tempo passou, e o sistema de assar porcos continuou basicamente o mesmo.
Mas as coisas nem sempre funcionavam bem: às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. As causas do fracasso do sistema, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou, ainda, às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.
As causas eram, como se vê, difíceis de determinar - na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: havia maquinário diversificado, indivíduos dedicados a acender o fogo e especialistas em ventos - os anemotécnicos. Havia um diretor-geral de Assamento e Alimentação Assada, um diretor de Técnicas Ígneas, um administrador-geral de Reflorestamento, uma Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.
Eram milhares de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.
Um dia, um incendiador chamado João Bom-Senso resolveu dizer que o problema era fácil de ser resolvido - bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas - assasse a carne.
Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o diretor-geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete e disse-lhe: "Tudo o que o senhor propõe está correto, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? E com os acendedores de diversas especialidades? E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras de ar?
E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Hein?."
"Não sei", disse João, encabulado.
"O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O senhor não vê que, se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo?."
"O senhor, com certeza, compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas? O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? E o que fazer com nossos engenheiros em porcopirotecnia? Vamos, diga-me!".
"Não sei, senhor."
"Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia - isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo."
João Bom-Senso, coitado, não falou mais um "a". Sem despedir-se, meio atordoado, meio assustado com a sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém nunca mais o viu. Por isso é que até hoje se diz, quando há reuniões de Reforma e Melhoramentos, que falta o Bom-Senso.
Será que o cidadão brasileiro fará como o João Bom-Senso, mesmo com a arrecadação federal tendo batido novo recorde em 2006 e a burocracia galopante continuar a ser estímulo para a sonegação e a corrupção fiscais?
(*) MARCOS CINTRA, 60 ANOS, DOUTOR PELA UNIVERSIDADE DE HARVARD, VICE-PRESIDENTE E PROFESSOR-TITULAR DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, EX-DEPUTADO FEDERAL (1999 / 2003) E SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SÃO BERNARDO DO CAMPO, É AUTOR DE "A VERDADE SOBRE O IMPOSTO ÚNICO" (LCTE, 2003).

NOTA DO EDITOR:

"A Fábula dos porcos assados" parece ter sido uma adaptação de texto traduzido por L. Gualazzi, de artigo publicado em JUICIO A LA ESCUELA, Cirigliano, Forcade Tilich, Editorial Humanista, Buenos Aires, 1976 e utilizado em encontros de capacitação dos dirigentes de escolas publicas por ocasião da implantação dos Guias Curriculares no Estado de São Paulo.