quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

E-mail a uma amiga concurseira



Oi. Que bom que me respondeu. Estou bem, sim... Estudando até passar no concurso!

Quero te dizer que não desanime. Antes de começar os seus estudos, ore e coloque sua vida nas mãos de Deus. A Bíblia diz que os planos de Deus são bons, perfeitos e agradáveis. Então, nada melhor do que deixar que Ele conduza sua vida no que diz respeito à área profissional e financeira também! 

Quando se começa a estudar, é necessário ter perseverança e confiança. Eu imagino que os contratempos que você teve tenham te desanimado, mas mesmo que nesse início suas tentativas não tenham sido muito produtivas, veja pelo lado bom: pelo menos você tentou! Isso já é alguma coisa.

Persevere até que seu tempo de estudo renda um pouco mais, até que você atinja seu alvo. E confie em sua capacidade. Para o concurso, tudo é uma questão de tempo e aprendizado. Você já lutou muito na vida, aprendeu, amadureceu e conseguiu chegar aonde está. Isso significa que ainda pode alcançar muito mais.

Não se esqueça de que Jesus é o seu maior aliado. Ele disse que jamais nos abandonaria. Peça que Ele esteja com você e te ensine as matérias que precisa aprender para a prova. É assim que eu tenho feito. A Bíblia diz que até durante a noite o Senhor nos ensina. Imagine: até enquanto dormimos, nosso coração é ensinado! Então, abra o coração para Jesus e Ele fará muito mais do que você imagina em sua vida.

Se apodere de todos os recursos que puder para que sua aprovação ocorra. Faça cursos, leia apostilas, atualize-se com a jurisprudência dos tribunais, inscreva-se em push de notícias, tenha seu tempo de lazer e atividade física. No que precisar de mim, estou sempre à disposição.

Que Deus nos abençoe em nossos estudos. Beijo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

UMA CAUSA TÃO FÁCIL

Reunidos na sala de audiência, tomando cada um o seu lugar, autor e réu vão, aos poucos, se exasperando, fazendo comentários em voz audível, antes da sessão de julgamento começar, no intuito de intimidar o adversário:
"Porque aquele acidente de trânsito foi mesmo um erro dessa mulher!" Gesticulando, disse, cheio de si, o homem, com toda a razão do mundo.
"Por favor, queira deixar que a sessão comece e, então, eu trato do assunto." Pediu, discretamente, o advogado do jovem senhor, réu no processo.
"Mas me garanta que o Juiz saberá como realmente se deram os fatos. Ele perceberá que a culpa foi toda dessa barbeira!"
"Sim... Sim. Por favor, se acalme."
Dou outro lado da mesa:
"Mas era só que me faltava! Esse homem arrumando o maior barraco no tribunal... Ele sim é o culpado pela batida. E ainda se recusa a pagar pelo estrago do meu carro!"
"Não se preocupe, Senhora. Todas as evidências indicam que ele é o culpado. Nossa causa já está ganha." O advogado da autora do processo tentava confortar a cliente.
O clima da audiência já estava acalorado, mesmo antes de terem sido abertos os trabalhos da Vara. De um lado, o murmúrio da conversa entre o advogado da parte ré e o seu cliente enchia a pequena sala de um zumbido desconfortante.  De outro, a autora da ação e seu advogado fitavam seus olhares de maneira quase fulminante no réu e no advogado, do canto oposto da sala.
Situação perfeita para ver o circo pegar fogo, quer dizer, o Juizado Especial pegar fogo...
Entra o Meritíssimo Magistrado e se assenta em seu lugar. Faz-se um silêncio sepulcral por poucos segundos até que, antes que o juiz pudesse falar alguma coisa, adianta-se o réu a fazer esclarecimentos:
"Excelentíssimo, antes de qualquer coisa, eu gostaria de dar a minha versão dos fatos."
"O senhor deve aguardar o momento em que o interrogarei, por favor." Disse o juiz um pouco irritado com a petulância do réu, folheando o processo em cima da mesa, sem levantar os olhos.
Mesmo assim, sem se intimidar com a advertência do magistrado, levantando-se da cadeira, o jovem senhor começou a expor a história do acidente de carro, tendo achado que o juiz o tratara com desprezo. Queria ser ouvido antes, mesmo que fosse aos gritos.
Querendo ver como aquela situação iria acabar, o juiz resolve deixar o jovem senhor continuar a falar.
"Eu estava dirigindo na via principal, quando esta senhora que estava fazendo a tesourinha, entra na frente do meu carro muito lenta e gera toda a batida! Eu tentei desviar dela, mas, como estava a 120 quilômetros por hora, ainda peguei na traseira do carro pelo lado esquerdo..."
"O senhor estava a 120 quilômetros por hora? Como acha que a culpa não é sua, então?" Indaga já impaciente o juiz.
O silêncio impera na sala até que o magistrado o interrompe:
"A velocidade máxima da via era de 80 quilômetros por hora... Sinto muito. O senhor é culpado pelo acidente."
Depois de tomadas as providências processuais cabíveis, saem da sala de audiência o advogado da autora e sua cliente satisfeitos com o resultado do julgamento. Comemora o causídico:
"Não disse que iríamos ganhar? Nunca atuei em uma causa tão fácil! O réu se entregou sem ninguém nem mesmo falar!"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CADA COISA NO SEU LUGAR: por que comemoramos o Natal?

Meus votos de Feliz Natal

 *Créditos: Timo Cunha e Cutia Fujona



Nessa época do ano, as pessoas do mundo inteiro se confraternizam; presenteiam amigos e familiares; se atentam mais a ajudar ao próximo que é carente; desfrutam de feriados, momentos de lazer e descanso; preparam e degustam comidas saborosíssimas; cantam e ouvem canções que falam de amor e paz; as ruas, shoppings, prédios estão decorados com os mais belos enfeites e luzes; o comércio fica aquecido, operando vendas que rendem muitos lucros… Enfim, todos, nessa época, se ocupam em celebrar a vida da maneira como sabem.

Mas o Natal é muito mais que isso. Mesmo que você não seja cristão, você não pode negligenciar o fato de que a História da Humanidade foi marcada há 2.012 anos pelo nascimento de Jesus, que dividiu a vida em antes e depois de Cristo. O Natal é, portanto, a celebração da vida, sim, mas a celebração especial da vida de uma pessoa específica: Jesus.

Por que o nascimento de um bebê foi capaz de mudar a História? Todos os anos milhões de bebês nascem corriqueiramente... Por que, então, celebrar o nascimento de Jesus?

A resposta para essa questão é evidenciada pela própria História: Jesus não foi um bebê qualquer. Sua vinda foi esperada ansiosamente por muitos; havia profecias e promessas a seu respeito. Todas as expectativas acerca do Cristo se cumpriram Nele; não somente as que se referiam ao seu nascimento, mas também ao seu ministério e a sua morte.

Tanto tempo depois da vinda de Jesus ainda somos contagiados pela alegria da festa que é o seu nascimento. A data tornou-se célebre em todo o mundo, marcando o próprio calendário que é utilizado hoje no Ocidente e em grande parte do Oriente. Dessa forma, não se pode negar que mesmo depois de 2.012 anos Ele é real e se faz presente na História do mundo. E, posso dizer, por experiência própria, que hoje Ele deseja se fazer presente na nossa vida de uma forma especial e pessoal!

Seja qual for a crença, o Natal é uma festa cristã, embora, não raras vezes, nos esqueçamos do seu verdadeiro sentido e insistamos em retirar do seu protagonista o lugar e as honras merecidos. Jesus é o motivo de se celebrar a vida! Seu nascimento, sua vinda ao mundo em forma humana são a razão da festa natalina. Todavia, o Natal de Cristo, para fazer sentido, deve ser experimentado de maneira pessoal, por meio de um convite, feito singelamente por quem quiser aceitar o próprio Jesus no coração.

Neste Natal, então, desejo que você permita que a presença desse menino que nasceu em Belém mude a sua vida, marque a sua história e te faça renascer para uma nova vida. Se você quiser, Jesus ainda hoje também pode fazer a diferença no seu natal! Desejo que seus olhos estejam abertos para essa verdade antiga, mas real. Desejo que haja celebração da vida em sua família, mas, mais que isso, que haja a celebração do nascimento de Jesus em seu coração.

Jesus disse “Eu sou o caminho, e a verdade e a Vida”, e ainda “[...] eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”. Vida é o que Ele oferece. Isso é o que desejo a você.

FELIZ NATAL!

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
João 3:16.

* http://www.cutiafujona.com.br/
* http://www.flickr.com/photos/timocunha

sábado, 1 de setembro de 2012

GO DOWN, ANA.



Após uma semana de trabalho exaustivo e de muitos problemas interpessoais no Ministério, me pego, após o expediente de sexta-feira, às 18h40, trancando minha sala e saindo pelos corredores, cantando “Go down, Moses”, tradicionalmente interpretada por Armstrong. A canção conta a história sobre a libertação do Povo de Israel da escravidão no Egito, nos tempos do velho testamento da Bíblia.
Inconscientemente, a canção me veio à mente e eu não pude conter a sua melodia belíssima, ia andando e cantando “[...] let my people go”. O espírito dessa música expressa exatamente como me eu me sentia naquele momento após a dura semana que tivera. Era como se, finalmente, guardadas as devidas proporções, estivesse me libertando do que tomara o meu tempo e me escravizara as forças.
É assim que se sente quando se dedica ao trabalho, doando-se da melhor maneira, e recebendo, em troca, críticas sem fundamento e perseguição. A sensação é de que, apesar da remuneração, o trabalho é escravo. Não há reconhecimento, nem valorização, não há uma equipe de trabalho, tão somente um grupo desarticulado e desmotivado. É lamentável que a estrutura do Poder Executivo federal se encontre a esse pé...
Imagino que o povo no Egito encontrava-se assim: desmotivado, desarticulado, sem quem pudesse enfrentar o Faraó, as pessoas se submetiam ao trabalho forçado, sem esperanças de uma vida livre, para, enfim, viverem seus sonhos, suas vidas de forma digna, em família. Em síntese, uma desgraça.
Eu não sou formada em Piscologia, nem possuo capacitação na área de recursos humanos, mas, como se diz, a vida é uma escola; não é preciso ter formação acadêmica – sem desmerecer aqueles que estudam para gerir pessoas – para aprender que “O diálogo é a base para o fortalecimento de qualquer relacionamento”. Essa afirmação foi dita pelo presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, e expressa com perfeição a solução que eu considero viável para a situação que eu vivi nesta semana fatídica: diálogo. Esta também foi, a princípio, a solução efetivada por Moisés para levar o povo do Egito – infelizmente, o Faraó era ruim de negociação e a manifestação divina se encarregou de pôr um ponto final na escravidão, de maneira dolorosa para os egípcios.
Concluindo, é uma pena que a pessoa com quem eu tivera problemas no trabalho não tenha aprendido, em 30 anos de serviço público, o poder da comunicação... Imposições e autoritarismos não resolvem relacionamentos! Bem, ela poderá contar com minha força de trabalho, enquanto eu estiver ali, afinal o meu serviço é para o Estado, não para uma pessoa específica (oras, apliquemos o princípio constitucional da impessoalidade!), mas minha amizade ela não terá. Eis o nosso setor mais desmotivado ainda... todo mundo sai perdendo.
Trago, então, à mente aquilo que pode me dar esperanças: “let my people go...”

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A FÁBULA DOS PORCOS ASSADOS

Qualquer semelhança com sistemas tributários só pode ser mera coincidência!

     CERTA VEZ, ocorreu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, que até então os comiam crus, experimentaram a carne assada e acharam-na deliciosa. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque. O tempo passou, e o sistema de assar porcos continuou basicamente o mesmo.
Mas as coisas nem sempre funcionavam bem: às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. As causas do fracasso do sistema, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou, ainda, às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.
As causas eram, como se vê, difíceis de determinar - na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: havia maquinário diversificado, indivíduos dedicados a acender o fogo e especialistas em ventos - os anemotécnicos. Havia um diretor-geral de Assamento e Alimentação Assada, um diretor de Técnicas Ígneas, um administrador-geral de Reflorestamento, uma Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.
Eram milhares de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.
Um dia, um incendiador chamado João Bom-Senso resolveu dizer que o problema era fácil de ser resolvido - bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas - assasse a carne.
Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o diretor-geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete e disse-lhe: "Tudo o que o senhor propõe está correto, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? E com os acendedores de diversas especialidades? E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras de ar?
E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Hein?."
"Não sei", disse João, encabulado.
"O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O senhor não vê que, se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo?."
"O senhor, com certeza, compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas? O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? E o que fazer com nossos engenheiros em porcopirotecnia? Vamos, diga-me!".
"Não sei, senhor."
"Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia - isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo."
João Bom-Senso, coitado, não falou mais um "a". Sem despedir-se, meio atordoado, meio assustado com a sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém nunca mais o viu. Por isso é que até hoje se diz, quando há reuniões de Reforma e Melhoramentos, que falta o Bom-Senso.
Será que o cidadão brasileiro fará como o João Bom-Senso, mesmo com a arrecadação federal tendo batido novo recorde em 2006 e a burocracia galopante continuar a ser estímulo para a sonegação e a corrupção fiscais?
(*) MARCOS CINTRA, 60 ANOS, DOUTOR PELA UNIVERSIDADE DE HARVARD, VICE-PRESIDENTE E PROFESSOR-TITULAR DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, EX-DEPUTADO FEDERAL (1999 / 2003) E SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SÃO BERNARDO DO CAMPO, É AUTOR DE "A VERDADE SOBRE O IMPOSTO ÚNICO" (LCTE, 2003).

NOTA DO EDITOR:

"A Fábula dos porcos assados" parece ter sido uma adaptação de texto traduzido por L. Gualazzi, de artigo publicado em JUICIO A LA ESCUELA, Cirigliano, Forcade Tilich, Editorial Humanista, Buenos Aires, 1976 e utilizado em encontros de capacitação dos dirigentes de escolas publicas por ocasião da implantação dos Guias Curriculares no Estado de São Paulo.



sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quando eu era menino

“Todo mundo tem saudade de uma mina – ainda que nunca tenha visto uma. É que na alma… Ah! Vocês não sabem o que é alma! Eu explico. Alma é um lugar, dentro do corpo, onde ficam guardadas as coisas que a gente amou e se foram. Elas se foram, mas não morreram. O amor não deixa que elas morram. Ele as guarda nesse lugar chamado alma. Ficam lá, esquecidas, dormindo… Mas, de repente, a gente se lembra! E quando a gente se lembra, vem a saudade… Saudade é o que a gente sente ao lembrar de uma coisa gostosa que foi embora… Onde estão as minas? Vocês nunca viram uma. Mas eu garanto: em algum lugar da sua alma, e na alma de todo mundo, há uma mina de água cristalina. E a gente gostaria de beber da sua água, com as mãos em concha…”









RUBEM ALVES – Quando eu era menino.

domingo, 24 de junho de 2012

DENTRO DE UM ABRAÇO



DENTRO DE UM ABRAÇO
Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento?
Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estreia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – a intimidade da gente é irreproduzível.
Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congetsionado, numa cadeira de dentista.
E então? Somando os prós e contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço.
Que lugar melhor para um acriança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.
Que lugar melhor para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.
O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante o envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.
Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beira-mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?
Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora do alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na semana dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste.

MARTHA MEDEIROS - Feliz por nada